Sem detalhar, OEA diz que houve 'ativismo político internacional' na eleição; TSE descarta interferência
06/10/2026
(Foto: Reprodução) A Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou em relatório divulgado nesta terça-feira (6) que as eleições no Brasil no último domingo (4) transcorreram de forma pacífica e “sem incidentes de maior gravidade”, mas que houve, no entendimento da entidade, "ativismo político internacional" sobre o processo eleitoral brasileiro.
As afirmações constam do relatório “Missão de Observação da OEA - Eleições gerais de 2026 no Brasil”, divulgado após representantes da entidade terem atuado como observadores internacionais do processo eleitoral.
“Assim como já foi observado pelas Moes [missões] da OEA em outras ocasiões, verifica-se uma tendência cada vez mais frequente de chefes de Estado fazerem declarações públicas sobre processos eleitorais em andamento em outros países do continente”, diz o relatório da OEA.
“A OEA observou que as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional e, inclusive, que, neste caso específico, esse ativismo chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas”, conclui o documento.
O relatório da OEA não menciona algum caso específico. No entanto, integrantes do governo brasileiro vêm atribuindo aos presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina) movimentos para tentar interferir nas eleições brasileiras, buscando ajudar o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
🔎No domingo, ao fazer um balanço do primeiro turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ao ser questionado se houve ingerência externa, respondeu que não foi registrado pela Corte nenhum alerta de “interferência estrangeira” na votação.
Os representantes da OEA estiveram em seções em 21 estados e no Distrito Federal. Assim como a organização, outras entidades internacionais, a exemplo de órgãos da União Europeia e do Mercosul, também foram chamadas pelo TSE para atuar como observadoras do processo.
Eleições pacíficas e sem incidentes graves
Equipe da OEA acompanha processo eleitoral brasileiro
Ainda no relatório divulgado nesta terça, a OEA afirma ter concluído que as eleições transcorreram de forma pacífica, organizada e “sem incidentes de maior gravidade”.
“A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos […] parabeniza o povo brasileiro por sua participação nas eleições gerais realizadas no último domingo, 4 de outubro, em uma jornada cívica e pacífica”, diz o texto.
“[A missão da OEA] reconhece também o trabalho profissional da Justiça Eleitoral, dos membros das mesas receptoras de votos, das forças de segurança e das demais instituições do Estado, que permitiu que 158.745.502 eleitores habilitados elegessem, no território nacional e no exterior, 1.790 cargos de maneira organizada e sem incidentes de maior gravidade”, completa o documento.
Atraso na atualização não afetou totalização
O relatório da OEA também faz menção ao fato de que, entre 19h06 e 20h06 do domingo, o sistema de divulgação de dados do TSE não divulgou parte dos resultados.
Segundo o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, houve um congestionamento no sistema e que isso não prejudicou a contagem dos votos.
“O sistema de apuração continuou funcionando sem contratempos. De tal maneira, os sistemas de apuração e divulgação são separados, estabelecendo uma medida de segurança e boa prática.[…] Os engenheiros especialistas da Missão que testemunharam a divulgação dos resultados puderam observar que esse exercício não comprometeu o processo de totalização dos votos”, afirma o documento da OEA.
Funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA) acompanham as eleições no Rio de Janeiro
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