Sem citar Trump, premiê da China critica unilateralismo e promete ampliar abertura econômica
22/03/2026
(Foto: Reprodução) Primeiro-ministro da China, Li Qiang, discursa em abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, na China, em 26 de julho de 2025.
REUTERS/Xihao Jiang
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu no domingo (22) abrir ainda mais a economia do país para empresas estrangeiras e buscar um comércio mais equilibrado com seus parceiros, após um ano marcado por atritos comerciais e tarifas com os Estados Unidos e a União Europeia.
A China importará mais produtos estrangeiros de alta qualidade e trabalhará com outros países para um comércio mais equilibrado e para ampliar sua participação no comércio global, disse Li no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, segundo a mídia estatal.
O fórum anual, que dura dois dias e termina na segunda-feira, permite que Pequim apresente sua visão econômica e oportunidades de investimento a empresários estrangeiros, autoridades chinesas, economistas e acadêmicos.
O evento ocorre após a segunda maior economia do mundo registrar um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025.
Os desafios para Pequim são muitos, incluindo reduzir as preocupações de países e investidores sobre as práticas comerciais da China, a sobrecapacidade industrial e a dependência global de produtos chineses.
Embora Li não tenha citado diretamente o superávit, suas declarações indicam que o tema preocupa o governo, já que pode afetar as relações internacionais em um momento de trégua temporária com os EUA no comércio.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou uma viagem a Pequim para se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, devido à guerra no Irã, atrasando tentativas de reduzir as tensões entre as duas maiores economias do mundo.
Em um discurso separado no fórum, o presidente do banco central da China, Pan Gongsheng, também tentou reduzir as preocupações sobre o superávit comercial.
"Analisar os desequilíbrios econômicos globais requer olhar não apenas para o comércio de bens, mas também para os serviços, e não apenas para a conta corrente, mas também para a conta financeira", disse Pan, de acordo com uma transcrição de seu discurso publicada pelo Banco Popular da China, acrescentando que a China é o país com o maior superávit de bens, mas também com o maior déficit de serviços.
Segundo Pan, a China não tem necessidade nem intenção de ganhar vantagem competitiva por meio da desvalorização da moeda.
Incentivo ao investimento estrangeiro
A China tenta reverter a queda no investimento estrangeiro direto, que recuou 5,7% em relação ao ano anterior, para pouco mais de 92 bilhões de iuanes (US$ 13,36 bilhões) em janeiro, após cair 9,5% ao longo de 2025.
Em dezembro, a China incluiu 200 setores em uma lista elegível para incentivos ao investimento estrangeiro, que vão de isenções fiscais ao uso preferencial de terrenos, com foco em manufatura avançada, serviços modernos e setores verdes e de alta tecnologia.
Li afirmou que empresas estrangeiras serão tratadas da mesma forma que as nacionais, permitindo que companhias de todos os países atuem com mais confiança e desenvolvam seus negócios na China.
Em uma reunião separada, o ministro do Comércio, Wang Wentao, disse a líderes de um grupo farmacêutico dos EUA e a executivos de cinco grandes empresas do setor que a China vai reforçar a proteção à propriedade intelectual e aumentar a transparência das políticas.