Rússia ameaça usar armas nucleares se Otan ameaçar exclave russo
30/09/2026
(Foto: Reprodução) Rússia divulga vídeo de teste com armas nucleares em 22 de outubro de 2025
Ministério da Defesa da Rússia via Reuters
A Rússia disse à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que estaria pronta para usar armas nucleares contra a Europa caso a aliança militar tentasse isolar Kaliningrado, exclave russo às margens do Mar Báltico.
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Em um documento enviado à Otan e visto pela agência de notícias Reuters, Moscou acusou a aliança de seguir um “caminho perigoso e imprudente”, que poderia elevar os “riscos de eclodir um conflito armado direto”.
“A Rússia estará pronta para utilizar todo o arsenal de forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, afirmou a Rússia no documento.
No cenário descrito por Moscou, em que Kaliningrado estaria sendo ameaçada, o governo Putin poderia recorrer a “ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países-membros da aliança logo no início do conflito”.
Em resposta, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança e apenas defensiva e não busca ameaçar Kaliningrado. Leia mais abaixo.
O documento enviado pela Rússia à Otan é classificado como um “non-paper”, termo usado na diplomacia para documentos informais que não constituem uma comunicação oficial.
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Reação da Otan
Em resposta à carta russa, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança é defensiva e pediu o fim das ameaças de uso de armas nucleares.
“Acho que a melhor maneira de lidar com isso é manter um pouco de calma aqui, do lado da Otan. Podemos permitir um pouco de calma, mas também garantir que continuemos com o que estamos fazendo”, disse Rutte.
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Reuters/Joshua Roberts
Além do aviso enviado à Otan, as embaixadas russas em pelo menos três países europeus fizeram declarações nos últimos três dias acusando a aliança de aumentar as tensões com exercícios militares e planejamento de cenários envolvendo Kaliningrado.
A Rússia também rejeitou as alegações de países ocidentais de que representa uma ameaça à Europa.
Nos comunicados, Moscou afirmou que não pretende atacar países da Otan, mas alertou que qualquer agressão contra Kaliningrado seria recebida com a resposta “mais enérgica possível”. O território russo é fortemente militarizado e fica entre a Polônia e a Lituânia.
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e países europeus. Governos do continente acusam Moscou de intensificar uma “guerra híbrida” na Europa, incluindo ações como sabotagem e incêndios criminosos.
A Rússia nega as acusações e também rejeita declarações recorrentes de políticos ocidentais de que estaria se preparando para um possível ataque militar contra um país da Otan.
A porta-voz da Otan, Allison Hart, confirmou que a Rússia enviou um documento informal à aliança, mas não divulgou seu conteúdo.
“Enviamos uma resposta, ressaltando que a Otan é uma aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa risco para qualquer parte da Rússia. Condenamos veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável. Exortamos a Rússia a pôr fim à sua guerra não provocada na Ucrânia”, afirmou.
Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa disse que esta seria a primeira vez desde a Guerra Fria que a Rússia ameaça os países europeus dessa forma.
“Portanto, isso é grave”, afirmou.
Um diplomata da Otan classificou o documento russo como uma tentativa de intimidar os países europeus e disse que a resposta da aliança foi “firme e responsável”.
“(Ela) reafirma que não seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia”, afirmou.
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REUTERS/Anastasia Barashkova