'Green card' na mira: EUA suspendem programa de vistos da Microsoft e outras big techs, diz vice de Trump
08/10/2026
(Foto: Reprodução) O vice-presidente dos EUA, JD Vance, fala durante entrevista à imprensa sobre iniciativas antifraude do governo norte-americano, em Washington, em 8 de outubro de 2026.
Nathan Howard/ Reuters
O governo de Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (8) a suspensão de um programa da Microsoft, da Adobe e de outras big techs para ajudar funcionários estrangeiros a adquirerem o visto permanente nos Estados Unidos, o chamado green card.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
O anúncio foi feito pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Vance afirmou que o corte é um recado para que a Microsoft contrate mais trabalhadores norte-americanos. Ele acusou ainda a companhia de fraude no programa.
➡️ O programa da Microsoft suspenso pelos EUA é destinado a funcionários da empresa nos Estados Unidos de origem estrangeira. Através dele, a Microsoft ajuda funcionários que chegam aos EUA com um visto temporário a obterem o Green Card.
Além da gigante da tecnologia, o vice disse que a suspensão também será aplicadas a empresas como Adobe, Cognizant, Infosys, Tata, Wipro, HCL and Capgemini.
"Não aceitaremos novos pedidos nem processaremos pedidos pendentes de certificação trabalhista permanente que envolvam essas empresas", disse o secretário de Trabalho dos EUA, Keith Sonderling.
Vance acusou a Microsoft de usar o visto H-1B — destinado à contratação temporária de estrangeiros altamente qualificados — de forma abusiva "provavelmente nas últimas décadas".
"O programa de visto H-1B tem como objetivo permitir que as empresas tragam realmente o melhor dos melhores de fora dos Estados Unidos para posições que são completamente impossíveis de preencher com trabalhadores americanos", disse Vance. "Infelizmente, o programa tem se tornado repleto de fraudes nos últimos anos, provavelmente nas últimas décadas".
"Se o seu objetivo ao vir para os Estados Unidos da América é receber um cheque do nosso generoso programa de assistência social, então você não vai enriquecer os Estados Unidos da América, e nós preferiríamos que VOCÊ NÃO VIESSE PARA CÁ!", afirmou.
O vice-presidente não explicou, no entanto, com o governo aplicaria a suspensão ao programa da Microsoft, que é privado e interno. A Microsoft ainda não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.
➡️Embora sua política anti-imigratória foque em imigrantes em situação irregular nos EUA, Donald Trump é um crítico do programa H-1B. Ele argumenta que empresas o utilizam para substituir trabalhadores norte-americanos por mão de obra estrangeira mais barata. Mas diversas empresas afirmam que H-1B supre a escassez de trabalhadores qualificados.
👉 O H-1B é utilizado, principalmente, pelos setores de tecnologia, educação e pesquisa nos EUA. Índia e China são os países das principais nacionalidades contratadas por empresas norte-americanas com esse tipo de visto, segundo a plataforma de dados Visual Capitalist e Statista. O Brasil aparece em 9º lugar da lista.
Reformas nos vistos H-1B J-1
Detalhe de visto de residência permanente nos EUA.
Divulgação
Vance também criticou universidades que, segundo ele, estariam abusando do visto J-1, destinados a estrangeiros que vivem temporariamente nos EUA em programas de intercâmbio de trabalho ou estudo.
O vice-presidente norte-americano defendeu uma investigação a nove universidades, incluindo Harvard, Yale, Stanford, Brown e MIT. Ele disse suspeitar que as instituições também cometam frauderelacionada ao visto J-1, afirmando que as universidades utilizavam o programa em proporções maiores do que outras instituições semelhantes.
Ele disse ainda que o governo dos EUA vai "reformar" os programas de visto H-1B e J-1, mas não deu detalhes sobre mudanças.
O anúncio de Vance desta quinta-feira faz parte de uma série de iniciativas do governo Trump para barrar a entrada de estrangeiros nos Estados Unidos por meio de vistos.
Na quarta-feira (7), o governo dos EUA lançou ofensiva contra estudantes internacionais. O Departamento de Segurança Interna propôs uma taxa de US$ 70.000 para estrangeiros que estudem nos EUA e busquem trabalhar nos Estados Unidos.
A regra proposta exigiria que as instituições de ensino pagassem a taxa por cada estudante participante do programa Treinamento Prático Opcional (OPT, na sigla em inglês), que permite aos alunos trabalhar em funções relacionadas à sua área de estudo durante ou após o período acadêmico.
O governo Trump também já limitou a entrada de trabalhadores de países com a China e a Índia nos EUA.
Agora no g1