Congresso da Espanha rejeita decreto do governo para tentar conter crise habitacional
02/10/2026
(Foto: Reprodução) Representantes do governo após derrota no Parlamento de medidas para conter crise habitacional
REUTERS/Violeta Santos Moura
O Congresso da Espanha rejeitou a proposta apresentada pelo governo para tentar conter a crise habitacional que vem provocando protestos públicos no país.
Em votação nesta sexta-feira (2), a proposta foi rejeitada por 178 votos na Câmara Baixa do Parlamento, composta por 350 assentos.
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A adesão do partido separatista catalão de direita Junts, antigo aliado do governo de Pedro Sánchez, ao posicionamento contrário da oposição foi determinante para a derrota. Os dirigentes justificaram o voto dizendo que as medidas acabariam por prejudicar o mercado imobiliário.
Os dois textos apresentados na terça-feira (29) pelo governo espanhol previam, entre outras medidas, a renovação automática dos contratos de aluguel ao final de sua vigência e restrições para o despejo de inquilinos em situação de vulnerabilidade.
O pacote também buscava combater os chamados "fundos abutres", definidos como grupos que adquirem imóveis a preços baixos para maximizar sua lucratividade.
Manifestantes reunidos em frente ao parlamento espanhol durante a votação de decretos sobre habitação
REUTERS/Violeta Santos Moura
Antes da votação, milhares de manifestantes se reuniram diante da Câmara dos Deputados para exigir a aprovação dos decretos. A derrota de Sánchez desanimou os presentes.
"Entendemos que a aritmética no Congresso é extremamente complicada, mas é preciso implementar políticas corajosas e inclusivas para todos", lamentou Teresa Morollón, de 46 anos.
Despejo de idosa de 87 anos intensificou protestos
A moradia a preços acessíveis é, há anos, um dos principais problemas sociais na Espanha e o tema ganhou força na última semana após o despejo de Maricarmen Abascal, uma madrilenha de 87 anos retirada do apartamento onde vivia há sete décadas.
O episódio provocou uma onda de indignação nacional e ativistas pelo direito à moradia montaram acampamentos de protesto no centro de Madri e em outras cidades.
A repercussão foi tanta que Maricarmen acabou conseguindo retornar ao apartamento, depois que fundo proprietário do apartamento fez uma proposta para que ela voltasse a alugar a residência.
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