Christa Pike estava 'ofegante' após tentativa fracassada de execução no Tennessee, diz testemunha

  • 01/10/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher sobrevive a execução por injeção letal no Tennessee, nos EUA Christa Gail Pike estava "ofegante" após receber duas injeções letais durante sua tentativa fracassada de execução nesta quarta-feira (1º), no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O depoimento foi dado por John North, um jornalista da emissora local WBIR, afiliada da NBC News, que estava presente e testemunhou tudo que aconteceu. Ao deixar a penitenciária onde o procedimento foi feito, ele contou que, em determinados momentos, os presentes não puderam ver o que estava acontecendo porque as persianas foram abaixadas, mas seguiram "ouvindo barulhos". "A primeira coisa que quero dizer é que, obviamente, temos muitas perguntas sobre o que vimos e o que não vimos, porque houve momentos em que as persianas estavam fechadas e outros em que estavam abertas, e parece que as coisas não correram como o esperado. Não sabemos o estado dela. Quando as persianas foram fechadas pela segunda vez, às 20h05, ela ainda estava respirando. Ela roncava em alguns momentos, mas ainda respirava. Tivemos que ouvir tudo isso até sairmos do prédio. Ouvimos barulhos, mas não sabemos o que aconteceu. A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante", detalhou. John North (homem à frente na direita) deixando penitenciária ao lado de outros colegas jornalistas após testemunhar execução fracassada de Christa Pike AP Photo/George Walker IV Ainda não se sabe o estado de saúde de Christa, mas ela está hospitalizada após sair da penitenciária em uma ambulância. A porta-voz do Departamento de Correções do Tennessee, Dorinda Carter, disse às testemunhas que não tinha informações imediatas sobre o que havia ocorrido. O jornalista cobrou explicações das autoridades: "Acho justo dizer que temos muitas perguntas, e o Departamento de Correções precisa dar muitas respostas ao público sobre o que aconteceu aqui. Não era isso que esperávamos. Pensávamos que a respiração ficaria mais longa, que haveria intervalos maiores, que o ronco seria alto. Houve momentos em que estava alto, e você pensa: 'Ok, talvez seja agora que ela vai parar aos poucos'. E isso não aconteceu". LEIA TAMBÉM: 'Ela também é uma vítima': quem é Christa Pike, que pode ser a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos Homem que ficou 40 anos no corredor da morte é libertado nos EUA após análise de DNA EUA executam três detentos em um único dia pela primeira vez em 16 anos Christa Pike deixou local de sua execução de ambulância para ser hospitalizada AP Photo/George Walker IV Execução fracassada As autoridades do Tennessee não conseguiram executar Christa Gail Pike nesta quarta-feira (30) por um assassinato cometido em 1995, mesmo após a administração de duas doses de um medicamento letal. Um especialista em pena de morte afirmou que se trata de uma falha sem precedentes. Pike permaneceu viva e roncando alto após a tentativa de execução por injeção letal e foi retirada da prisão em uma ambulância, segundo seus advogados. Após o incidente, a prisioneira foi levada ao hospital, porém não se havia notícias sobre seu estado de saúde. "Não fomos informados sobre seu estado de saúde”, disseram os advogados de Pike em comunicado. Após a falha na execução de Pike, o governador do Tennessee, Bill Lee, ordenou uma investigação independente sobre o incidente e também suspendeu as execuções no estado até o fim do ano —havia apenas uma outra pena de morte planejada. Pike, de 50 anos, estava programada para ser executada às 10h de quarta-feira pelo assassinato que cometeu aos 18 anos e seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Um tribunal de apelações suspendeu a injeção letal apenas uma hora antes do horário previsto, mas horas depois a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a suspensão. Christa Pike em 12 de janeiro de 2023. TDOC via AP Segundo os advogados, as autoridades administraram duas doses de pentobarbital em Pike. Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, afirmou que o que ocorreu com Pike é “algo único e sem paralelo”. Ela disse que outras sete pessoas sobreviveram a problemas médicos decorrentes da incapacidade das equipes de execução de acessar uma veia para administrar os medicamentos, mas que ninguém havia permanecido vivo após receber as drogas usadas nas execuções. Os advogados de Pike afirmaram: “Não sentimos satisfação em estar certos, mas as preocupações levantadas pela senhora Pike se mostraram verdadeiras: acesso venoso difícil, veias rompidas, pentobarbital degradado, ausência de atendimento médico de emergência quando as coisas inevitavelmente dão errado, tudo isso sob um protocolo que continua envolto em sigilo.” Os advogados de Pike apresentaram ainda na noite de quarta-feira um pedido emergencial à Suprema Corte dos EUA para interromper imediatamente a execução, alegando que ela estava sofrendo uma “agonia desnecessária” e que seu direito de não ser submetida a punições cruéis e incomuns estava sendo violado. Eles também protocolaram pedidos no Tribunal de Apelações do Sexto Circuito e em um tribunal distrital. O recurso também afirmava que o Departamento de Correções deveria iniciar medidas para salvar a vida da condenada. “A falha em fornecer esse atendimento constitui indiferença deliberada diante de necessidades médicas legítimas e graves”, diz a petição. Pike e seu namorado foram condenados pelo esfaqueamento e espancamento que matou Colleen Slemmer, de 19 anos, colega deles em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville, em 1995. O caso ganhou ampla repercussão porque um pentagrama gravado no corpo da vítima e outros elementos do crime alimentaram temores sobre cultos satânicos durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990. Foi a segunda vez neste ano que o Tennessee não conseguiu realizar uma execução. Em maio, autoridades cancelaram a injeção letal de Tony Carruthers após os executores passarem mais de uma hora tentando, sem sucesso, conseguir acesso intravenoso para administrar o pentobarbital.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/01/christa-pike-estava-ofegante-apos-tentativa-fracassada-de-execucao-no-tennessee-diz-testemunha.ghtml


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